Os ensaios triaxiais em rejeitos de mineração falham mais do que se admite, e o erro quase nunca está onde se procura.
Na maioria dos casos, os laboratórios seguem protocolos adequados e operam com equipamentos calibrados. Ainda assim, os parâmetros obtidos muitas vezes não refletem o comportamento real do material.
Isso ocorre porque os rejeitos não se comportam como solos naturais. Diferentemente das argilas formadas ao longo de milhares de anos, esses materiais passaram por britagem, moagem e processos químicos que alteraram completamente sua estrutura.
Dessa forma, a linha de estado crítico definida nesses ensaios indica se o rejeito tende ao colapso ou à estabilidade. Mariana e Brumadinho evidenciaram as consequências de uma definição incorreta dessa linha.
O que são ensaios triaxiais em rejeitos de mineração?
Os ensaios triaxiais aplicam tensões controladas em amostras cilíndricas para medir como elas se deformam e rompem.
No caso de rejeitos, revelam se o material vai ganhar ou perder resistência, uma diferença que separa estruturas seguras de desastres.
O procedimento parece simples. O ensaio submete a amostra a uma tensão de confinamento e depois aumenta progressivamente a tensão axial até a ruptura.
Entretanto, com rejeitos, cada detalhe pode alterar completamente os resultados.
A linha de estado crítico marca onde o material para de resistir e começa a fluir como líquido – o fenômeno de liquefação que causou as tragédias conhecidas.
Principais erros em ensaios triaxiais de rejeitos
A amostragem já apresenta o primeiro obstáculo. Diferente de argilas coesivas, os rejeitos granulares desmoronam durante a extração.
Resta a moldagem em laboratório, procedimento onde controlar densidade exige conhecimento técnico e habilidade prática.
Nesse contexto, replicar as condições de campo torna-se o desafio primordial. A compactação úmida apresenta melhores resultados, porém depende de técnicos experientes.
Quando mal executada, produz amostras com segregação que invalida todo o ensaio.
Além disso, a saturação consome mais tempo que qualquer etapa:
- Gradientes excessivos arrastam partículas finas
- Bolhas de ar presas falseiam leituras de poropressão
- O parâmetro B frequentemente não atinge valores aceitáveis
- Materiais finos levam dias para saturar
Sendo assim, laboratórios que cobram por ensaio enfrentam tentação de acelerar essas etapas. Consequentemente, laboratórios diferentes geram linhas de estado crítico completamente distintas.
Por fim, as condições de contorno também influenciam mais que a teoria sugere. A escolha entre bases lubrificadas ou rugosas produz diferenças significativas nos projetos geotécnicos.
Veja também: Como elaborar um Plano Diretor de Disposição de Rejeitos eficaz?

Como melhorar a qualidade dos ensaios triaxiais
Diante desses desafios, padronizar rigorosamente a moldagem resolve boa parte dos problemas.
Quando cada amostra segue exatamente o mesmo procedimento, os resultados ganham a repetibilidade necessária para comparações confiáveis.
No que diz respeito à saturação, investir tempo nessa etapa sempre compensa. A percolação lenta com gradientes baixos preserva a estrutura interna.
Em seguida, aplicar contrapressão gradualmente garante saturações superiores a 95% sem comprometer o material.
Paralelamente, a qualidade da instrumentação faz diferença que justifica o investimento:
- Transdutores de última geração captam variações que equipamentos antigos perdem
- LVDTs dentro da câmara medem deformação real, eliminando movimentos espúrios
- Células de carga sensíveis registram resistências mesmo em tensões baixas
Além disso, a adoção de bases lubrificadas transformou a qualidade dos resultados em laboratórios especializados. Embora pareça simples, elimina os atritos que distorciam a distribuição de tensões.
Na Apoan Engenharia, mantemos parceria com laboratórios que demonstram controle rigoroso sobre cada etapa.
Afinal, os ensaios geotécnicos aparentemente econômicos que geram números duvidosos custam infinitamente mais quando os problemas aparecem.
Como usar resultados de ensaios triaxiais em projetos
Obter parâmetros confiáveis é apenas o primeiro passo. No entanto, o desafio está em traduzir esses números em decisões práticas sobre geometrias de taludes e fatores de segurança.
Nesse sentido, o parâmetro de estado conta traz uma grande questão: esse material vai ganhar ou perder resistência quando carregado?
Recorrentemente, os materiais acima da linha crítica tendem ao colapso, abaixo dela se fortalecem. Sendo assim, os projetos de estabilidade de taludes dependem fundamentalmente dessa classificação.
Por outro lado, avaliar liquefação exige construir diagramas p’ vs q cuidadosamente. A superfície de fluxo mostra onde o material perde praticamente toda resistência.
Dessa forma, manter as trajetórias afastadas dessa superfície não é recomendação, pois trata-se de uma obrigação técnica.
Além do mais, modelos constitutivos avançados como NorSand parecem sofisticação desnecessária até que se precisa simular comportamentos complexos.
Esses modelos exigem dezenas de parâmetros que somente ensaios bem executados fornecem com confiabilidade.
No dia a dia, esses números entram diretamente nas análises de estabilidade. Contudo, aplicar com critério significa compreender suas limitações e utilizar fatores de redução que reflitam as incertezas reais.

Conte com a Apoan Engenharia para ensaios triaxiais de qualidade
Na Apoan Engenharia, entendemos que o desempenho de ensaios triaxiais define a qualidade de toda a cadeia de análise de segurança.
Nossa abordagem integra investigação de campo, ensaios laboratoriais especializados e modelagem numérica.
Por aqui, trabalhamos com metodologia que contempla:
- Programas experimentais customizados para cada tipo de rejeito
- Acompanhamento técnico em laboratórios certificados
- Interpretação criteriosa à luz da teoria do estado crítico
- Aplicação em análises de estabilidade
- Validação cruzada com instrumentação de campo
Nossa equipe desenvolve projetos desde pilhas de estéril até sistemas complexos de contenção.





