A transição energética e mineração estão mais conectadas do que o debate público costuma mostrar.
Turbinas eólicas, painéis solares e baterias de veículos elétricos dependem de minerais específicos em volumes muito acima do que as tecnologias convencionais consomem, e boa parte dessas reservas está no subsolo brasileiro.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda por minerais críticos como lítio, níquel, cobalto e cobre precisará crescer até seis vezes até 2040 para que o mundo atinja as metas de emissões líquidas zero.
O Brasil ocupa posições relevantes no ranking mundial de reservas de nióbio, grafite, terras raras, lítio e níquel.
Segundo o estudo do Ipea em cooperação com a ANM, o país detém cerca de 10% das reservas mundiais de minerais críticos. Por outro lado, ter reserva não é o mesmo que ter capacidade de produção.
O país segue exportando matéria-prima bruta e importando compostos processados a preços muito superiores – um padrão que a demanda crescente por minerais da transição energética torna cada vez mais difícil de sustentar.
Para empresas que operam ou planejam projetos de mineração no Brasil, entender essa dinâmica é condição para tomar decisões de investimento com base em premissas sólidas.
Transição energética e mineração: por que a demanda por minerais específicos dispara
A intensidade de uso de minerais por unidade de energia gerada é muito maior nas tecnologias limpas do que nas convencionais.
De forma mais clara, ainda segundo a IEA, um veículo elétrico emprega cerca de 9 kg de lítio, 40 kg de níquel, 13 kg de cobalto e 66 kg de grafita – minerais praticamente ausentes nos veículos a combustão.
Nas eólicas offshore, a quantidade necessária de cobre por megawatt chega a ser quase sete vezes maior do que em plantas a gás.
Esse volume explica as projeções que preocupam o mercado. A IEA destaca que entre 2023 e 2040, a demanda por lítio deve crescer 704% e a de grafite 246% em um dos cenários projetados, e a capacidade de produção já anunciada pelos projetos em curso não é suficiente para atender a essa demanda.
No Brasil, os minerais com maior potencial de protagonismo nesse contexto incluem:
- Nióbio, do qual o Brasil concentra 94% das reservas mundiais, segundo o Ministério de Minas e Energia
- Grafite, com a segunda maior reserva mundial e produção em queda sistemática nos últimos anos
- Terras raras, com 19% das reservas globais, atrás apenas de China e Vietnã, segundo o Ipea
- Lítio, com reservas em Minas Gerais e projetos avançados na região do Vale do Jequitinhonha
- Níquel, com aproximadamente 16% das reservas mundiais declaradas, concentradas no Pará, Goiás e Minas Gerais

Reservas abundantes, produção estagnada: o diagnóstico do Ipea
O estudo do Ipea publicado em dezembro de 2025 traz um diagnóstico incômodo. A produção brasileira de grafita caiu em média 8,4% ao ano nos últimos sete anos, enquanto o mundo acelerava a extração para abastecer a indústria da transição energética.
O padrão se repete em outros minerais críticos: o Brasil reduz produção enquanto a demanda global cresce.
Segundo a PwC Brasil, 85% do refino de terras raras está concentrado na China, e a situação é similar em grafite, cobalto e níquel. Isso deixa o país em posição de vulnerabilidade: exportador de minérios brutos de baixo valor agregado e importador caro de equipamentos verdes, nas palavras do próprio Ipea.
Construir capacidade de processamento exige investimento em infraestrutura, formação de mão de obra especializada e marcos regulatórios ainda em desenvolvimento.
Projetos de minerais críticos e as exigências técnicas acima da média
A demanda crescente vem acompanhada de exigências crescentes de ESG por parte de investidores, montadoras e governos que querem rastrear a origem dos minerais que entram em suas cadeias produtivas.
Um veículo elétrico comercializado na Europa já precisa demonstrar que o lítio ou o cobalto de sua bateria foi extraído com padrões socioambientais verificáveis.
Isso muda as premissas de projeto. Estruturas como barragens de rejeitos e pilhas de estéril precisam ser concebidas com padrões de segurança e monitoramento compatíveis tanto com a legislação brasileira quanto com as exigências de certificação internacional.
A engenharia geotécnica passa a ser um critério de credenciamento, não apenas de conformidade regulatória.
Os depósitos de minerais críticos têm características geológicas e geotécnicas distintas dos depósitos tradicionais de minério de ferro ou bauxita.
A heterogeneidade é maior, os rejeitos frequentemente apresentam composição química mais sensível e o licenciamento ambiental tende a ser mais complexo.
Isso exige investigação geotécnica detalhada desde as fases iniciais, com impacto direto na viabilidade econômica e no cronograma do projeto.
Planejamento de encerramento de minas na agenda dos investidores internacionais
Projetos dimensionados para operações de 20 ou 30 anos precisam considerar desde o início as obrigações de descomissionamento de barragens e a elaboração do PAEBM – documentos exigidos pela legislação brasileira e cada vez mais auditados por fundos e financiadores internacionais como parte da diligência ESG.
A reutilização de rejeitos como material de construção também ganha espaço nesse contexto. Em projetos de minerais críticos, onde os rejeitos têm composição química específica, avaliar o potencial de reaproveitamento desde a fase de projeto pode gerar economia e reduzir o passivo ambiental no encerramento.
É preciso destacar ainda que a modelagem geomecânica dessas estruturas desde a concepção é o que permite antecipar cenários de encerramento com premissas confiáveis.
Apoan Engenharia: suporte técnico para projetos de minerais da transição energética
Os projetos de minerais críticos têm complexidade geológica, geotécnica e regulatória acima da média.
Na Apoan Engenharia, trabalhamos com operações que precisam de fundamento técnico sólido desde a caracterização do depósito até o monitoramento em operação, com foco em segurança, conformidade e rastreabilidade compatível com as exigências do mercado internacional.
Nossa equipe tem experiência em:
- Caracterização geológica e geotécnica de depósitos complexos, incluindo grafite, lítio e terras raras
- Projetos de barragens de rejeitos e pilhas de estéril com rejeitos de composição química sensível
- Modelagem geomecânica e análises de estabilidade para estruturas em depósitos de minerais críticos
- Elaboração de PAEBM e planos de descomissionamento compatíveis com exigências regulatórias e de investidores
- Engenharia geotécnica para mineração com foco em segurança e conformidade com a legislação brasileira





