Transição energética e mineração: o papel do Brasil na cadeia global de minerais críticos

maio 17, 2026

A transição energética e mineração estão mais conectadas do que o debate público costuma mostrar.

Turbinas eólicas, painéis solares e baterias de veículos elétricos dependem de minerais específicos em volumes muito acima do que as tecnologias convencionais consomem, e boa parte dessas reservas está no subsolo brasileiro.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda por minerais críticos como lítio, níquel, cobalto e cobre precisará crescer até seis vezes até 2040 para que o mundo atinja as metas de emissões líquidas zero.

O Brasil ocupa posições relevantes no ranking mundial de reservas de nióbio, grafite, terras raras, lítio e níquel.

Segundo o estudo do Ipea em cooperação com a ANM, o país detém cerca de 10% das reservas mundiais de minerais críticos. Por outro lado, ter reserva não é o mesmo que ter capacidade de produção.

O país segue exportando matéria-prima bruta e importando compostos processados a preços muito superiores – um padrão que a demanda crescente por minerais da transição energética torna cada vez mais difícil de sustentar.

Para empresas que operam ou planejam projetos de mineração no Brasil, entender essa dinâmica é condição para tomar decisões de investimento com base em premissas sólidas.

Transição energética e mineração: por que a demanda por minerais específicos dispara

A intensidade de uso de minerais por unidade de energia gerada é muito maior nas tecnologias limpas do que nas convencionais.

De forma mais clara, ainda segundo a IEA, um veículo elétrico emprega cerca de 9 kg de lítio, 40 kg de níquel, 13 kg de cobalto e 66 kg de grafita – minerais praticamente ausentes nos veículos a combustão.

Nas eólicas offshore, a quantidade necessária de cobre por megawatt chega a ser quase sete vezes maior do que em plantas a gás.

Esse volume explica as projeções que preocupam o mercado. A IEA destaca que entre 2023 e 2040, a demanda por lítio deve crescer 704% e a de grafite 246% em um dos cenários projetados, e a capacidade de produção já anunciada pelos projetos em curso não é suficiente para atender a essa demanda.

No Brasil, os minerais com maior potencial de protagonismo nesse contexto incluem:

  • Nióbio, do qual o Brasil concentra 94% das reservas mundiais, segundo o Ministério de Minas e Energia
  • Grafite, com a segunda maior reserva mundial e produção em queda sistemática nos últimos anos
  • Terras raras, com 19% das reservas globais, atrás apenas de China e Vietnã, segundo o Ipea
  • Lítio, com reservas em Minas Gerais e projetos avançados na região do Vale do Jequitinhonha
  • Níquel, com aproximadamente 16% das reservas mundiais declaradas, concentradas no Pará, Goiás e Minas Gerais
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Reservas abundantes, produção estagnada: o diagnóstico do Ipea

O estudo do Ipea publicado em dezembro de 2025 traz um diagnóstico incômodo. A produção brasileira de grafita caiu em média 8,4% ao ano nos últimos sete anos, enquanto o mundo acelerava a extração para abastecer a indústria da transição energética.

O padrão se repete em outros minerais críticos: o Brasil reduz produção enquanto a demanda global cresce.

Segundo a PwC Brasil, 85% do refino de terras raras está concentrado na China, e a situação é similar em grafite, cobalto e níquel. Isso deixa o país em posição de vulnerabilidade: exportador de minérios brutos de baixo valor agregado e importador caro de equipamentos verdes, nas palavras do próprio Ipea.

Construir capacidade de processamento exige investimento em infraestrutura, formação de mão de obra especializada e marcos regulatórios ainda em desenvolvimento.

Projetos de minerais críticos e as exigências técnicas acima da média

A demanda crescente vem acompanhada de exigências crescentes de ESG por parte de investidores, montadoras e governos que querem rastrear a origem dos minerais que entram em suas cadeias produtivas.

Um veículo elétrico comercializado na Europa já precisa demonstrar que o lítio ou o cobalto de sua bateria foi extraído com padrões socioambientais verificáveis.

Isso muda as premissas de projeto. Estruturas como barragens de rejeitos e pilhas de estéril precisam ser concebidas com padrões de segurança e monitoramento compatíveis tanto com a legislação brasileira quanto com as exigências de certificação internacional.

A engenharia geotécnica passa a ser um critério de credenciamento, não apenas de conformidade regulatória.

Os depósitos de minerais críticos têm características geológicas e geotécnicas distintas dos depósitos tradicionais de minério de ferro ou bauxita.

A heterogeneidade é maior, os rejeitos frequentemente apresentam composição química mais sensível e o licenciamento ambiental tende a ser mais complexo.

Isso exige investigação geotécnica detalhada desde as fases iniciais, com impacto direto na viabilidade econômica e no cronograma do projeto.

Planejamento de encerramento de minas na agenda dos investidores internacionais

Projetos dimensionados para operações de 20 ou 30 anos precisam considerar desde o início as obrigações de descomissionamento de barragens e a elaboração do PAEBM – documentos exigidos pela legislação brasileira e cada vez mais auditados por fundos e financiadores internacionais como parte da diligência ESG.

A reutilização de rejeitos como material de construção também ganha espaço nesse contexto. Em projetos de minerais críticos, onde os rejeitos têm composição química específica, avaliar o potencial de reaproveitamento desde a fase de projeto pode gerar economia e reduzir o passivo ambiental no encerramento.

É preciso destacar ainda que a modelagem geomecânica dessas estruturas desde a concepção é o que permite antecipar cenários de encerramento com premissas confiáveis.

Apoan Engenharia: suporte técnico para projetos de minerais da transição energética

Os projetos de minerais críticos têm complexidade geológica, geotécnica e regulatória acima da média.

Na Apoan Engenharia, trabalhamos com operações que precisam de fundamento técnico sólido desde a caracterização do depósito até o monitoramento em operação, com foco em segurança, conformidade e rastreabilidade compatível com as exigências do mercado internacional.

Nossa equipe tem experiência em:

  • Caracterização geológica e geotécnica de depósitos complexos, incluindo grafite, lítio e terras raras
  • Projetos de barragens de rejeitos e pilhas de estéril com rejeitos de composição química sensível
  • Modelagem geomecânica e análises de estabilidade para estruturas em depósitos de minerais críticos
  • Elaboração de PAEBM e planos de descomissionamento compatíveis com exigências regulatórias e de investidores
  • Engenharia geotécnica para mineração com foco em segurança e conformidade com a legislação brasileira

Fale com nossos especialistas e descubra como apoiar seu projeto com fundamento técnico desde as fases iniciais.

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